TJRJ condena ex-PM a 32 anos pelo assassinato de Fernando Iggnácio, genro de Castor de Andrade

Zona Oeste do Município do Rio de Janeiro, 12 de abril de 2026.

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou, na última sexta-feira (10), o ex-policial militar Rodrigo Silva das Neves a 32 anos e nove meses de prisão pela morte do contraventor Fernando Iggnácio , ocorrido em 2020. A decisão foi publicada no site do TJRJ ao final do dia.

O caso tem raízes profundas na Zona Oeste do Rio. Iggnácio foi gênero de Castor de Andrade, o histórico chefão do jogo do bicho em Bangu e um dos maiores nomes da contravenção no estado do Rio de Janeiro até a sua morte, em 1997. Após o falecimento de Castor, uma disputa pelo controle das atividades dividiu a família: de um lado, Iggnácio; do outro, Rogério de Andrade, sobrinho de Castor. O conflito se estendeu por mais de duas décadas e foi marcado por atentados e mortes, incluindo as de Paulinho de Andrade, filho de Castor, e de Diogo de Andrade, filho de Rogério.

Segundo as investigações, o crime foi planejado por outro ex-PM, conhecido como Araújo, integrante do esquema de segurança pessoal de Rogério de Andrade. Araújo teria sido recrutado Rodrigo e outros envolvidos para executar Iggnácio. O próprio réu admitiu, logo após ser preso, que participou do crime movido por dinheiro e “aventura” — e disse que se arrependeu.

As provas apresentadas pela promotoria incluíram imagens, rastreamento de veículos e materiais encontrados em um imóvel pertencente ao réu, entre eles fuzis. O júri alegou emboscada e motivo torpe.

O assassinato ocorreu no estacionamento de um heliponto no Recreio dos Bandeirantes, quando Iggnácio retornou de sua casa em Angra dos Reis. Rodrigo é o primeiro réu julgado — outros acusados ​​ainda devem ser levados a julgamento.

Por Jessé Cardoso / Ass. imprensa

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